Ailton Amélio

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Quem gosta mais do outro, você ou sua parceira? Como saber isso?

Ailton Amélio

Existem várias maneiras de verificar isso. Vamos apresentar aqui uma dessas maneiras: as iniciativas sociais positivas.

Exemplos de iniciativas sociais positivas

1- Tomar iniciativas para iniciar ou reiniciar contatos

É a iniciativa para fazer o primeiro contato ou para retomar contatos.

O primeiro contato acontece entre desconhecidos. A retomada de contatos acontece após muito tempo de interrupção sem motivos óbvios ou interrupção motivada por algum evento específico (relacionamento comercial encerrado, briga que levou a interrupção do relacionamento, etc.).

Exemplos:

– Iniciar o flerte com uma desconhecida

– Desviar-se do caminho e ir até onde está uma pessoa conhecida que você não vê há muito tempo e cumprimentá-la

– Mandar uma mensagem através Whatsapp para um conhecido com quem você não fala há muito tempo

– Telefonar para um conhecido com quem você não fala há bastante tempo.

– Convidar um possível parceiro amoroso para um primeiro encontro.

– Ser o primeiro a mandar um cartão de Natal.

– Puxar conversa com um desconhecido

2- Tomar iniciativas para intensificar relacionamentos

A iniciativa de intensificar contatos acontece através de três tipos de inciativas:

A- Aumentar a frequência dos contatos (procurar o outro mais vezes por semana)

Exemplos

Aumentar a frequência das mensagens enviadas para a parceira.

– Aumentar a frequência de curtidas das postagens da parceira no Facebook.

– Tornar a voz mais intensa e modulada do que o usual ao cumprimentar a outra pessoa.

– Apertar a mão de quem só era cumprimentado oralmente.

– Apertar um pouco mais a mão de quem era cumprimentado com aperto de mão mais leve.

– Abraçar quem já era cumprimentado com um aperto de mão caprichado

– Abraçar e beijar quem já era abraçado.

– Aumentar a duração de cada um dos atos acima.

B- Tomar iniciativas para melhorar a qualidade do relacionamento:

– Tratar melhor a outra pessoa. Ser mais atencioso, mais gentil, valorizá-la mais.

– Tornar o conteúdo da comunicação mais pessoal ou íntimo.

– Começar a tratar a parceira mais carinhosamente.

– Apresentar sinais que pretende conversar bastante tempo (sentar-se, colocar a pasta sobre a mesa, declarar que está com a tarde livre, etc.).

– Ir além das formalidades do cumprimento e dar sinais especiais de bem querer. Por exemplo, cumprimentar uma pessoa com um pouco mais de entusiasmo que o esperado para o tipo de relacionamento que você tem com ela.

– Aumentar a intimidade do meio de comunicação. Por exemplo, ao invés de mensagem de texto, mandar mensagem de voz; ao invés de mensagem de voz, mandar vídeo; ao invés de vídeo, telefonar para a pessoa.

– Aumentar a afetividade ou aumentar a intimidade do conteúdo das comunicações: falar coisas mais pessoais, apresentar perguntas sobre a vida da outra pessoa, compartilhar notícias e sentimentos, compartilhar acontecimentos pessoais em andamento (nova namorada, por exemplo), apresentar sua opinião sobre o que a outra pessoa disse.

Intensificações não verbais

C- Iniciativas para tentar alterar o tipo de relacionamento.

Por exemplo, começar a fazer coisas com um amigo que são típicas de namorados, para transformar a amizade em namoro: usar termos mais carinhosos, começar a fazer contatos físicos mais românticos, convidar para programas típicos de namorados.

Geralmente, é agradável receber iniciativas positivas de contato

Essas iniciativas podem ser encaradas como sinais de apreço e consideração por parte daqueles que as tomam em relação aos interlocutores para quem elas são dirigidas.

Para ajudar a tomar consciência dos efeitos positivos das iniciativas de contato costumo pedir para que os meus pacientes imaginem como eles se sentiriam caso recebessem iniciativas desse tipo.

Por exemplo, peço a cada um deles que imagine que está em um lugar público e uma pessoa conhecida, logo que o avista, caminha animadamente na sua direção e o cumprimenta com gosto. O autor dessa iniciativa pode dar mostras que poderia prolongar a conversa, mas também está pronto para não fazer isso, caso o paciente não o estimule a continuar a conversa.

Além disso, peço aos pacientes que imaginem que existem indícios de que a intenção principal do autor da iniciativa é apenas cumprimentar e conversar com ele e não qualquer outro tipo de interesse, como pedir alguma coisa ou fazer contato profissional. 

As iniciativas de contato enviam os seguintes tipos de mensagem positivas para quem é abordado:

“Você é importante para mim”

“Faço questão de me aproximar de você”

“Acho que você é uma pessoa interessante”

Quem toma essas iniciativas é visto como interessado, simpático, proativo, disponível e disposto a se relacionar por aquele que a recebe.

Muito agradável, não é? Você se sentirá importante e querido com esta abordagem e tenderá a gostar mais do seu autor.

As pessoas contabilizam quem tomou a última iniciativa

Estamos sempre atentos para as origens das iniciativas de contato e das intensificações de contato: observamos quantas vezes fomos nós que tomamos tais iniciativas e quantas vezes elas foram tomadas pelas outras pessoas. Observamos, também, quem foi o último que tomou a iniciativa: “Hoje, fui eu que convidei você para sair. O próximo convite é seu!”. (“Com quem está a bola”).

Considere as afirmações abaixo. Elas são podem ser ouvidas muito frequentemente no dia a dia e indicam que as pessoas geralmente reconhecem a importância e o significado das iniciativas de contato e das intensificações de contato:

“Já liguei três vezes para ela, mas ela nunca toma a iniciativa de me ligar”. (Iniciativas de contato unilaterais).

“Só eu que a procuro. Se eu passar semanas sem ir até a sala dela, ela nunca virá até a minha.” (Iniciativas de contato unilaterais).

“Só eu que a convido para almoçar. De vez em quando, ela vai almoçar com outros colegas e nem me avisa.” (Iniciativas de contato unilaterais).

“Comecei a curtir mais frequentemente as suas postagens”. (Iniciativa de intensificação de contatos).

“Ela está cada vez mais carinhosa comigo”. (Iniciativa de intensificação de contatos).

A importância da iniciativa do contato pode superar a importância conteúdo do contato

Muita gente me pergunta o que deve falar durante e após a abordagem de uma pessoa desconhecida, após um flerte à distância (na maioria das vezes, esse tipo de pergunta é apresentado por homens tímidos). Eu sempre respondo que o mais importante já foi feito: a iniciativa de caminhar até a pessoa e dirigir-lhe a palavra.

A paquera mútua, que aconteceu antes da abordagem, já deixou claro que essa iniciativa é de natureza amorosa. Neste contexto, o conteúdo daquilo que é dito durante e após a abordagem pode não ser tão importante quanto a iniciativa de abordagem. Pelo contrário, o conteúdo da conversa que acontece após a abordagem deve ser ameno e delicado. É importante, apenas, não destoar do “normal”, como dizer coisas absurdas ou ofensivas.

Como as pessoas já mostraram que possuem interesse mútuo através do flerte, a iniciativa de contato possibilita que essas motivações se manifestem após a iniciativa.

Em geral, as pessoas se convencem de que a argumentação acima está correta, quando eu lhes apresento a seguinte situação hipotética:

Imagine que após um flerte à distância, uma mulher tome a iniciativa de se aproximar de você e, então, ela diga uma das seguintes frases:

1- “Oi! tudo bem?”.

2- “Posso me sentar aqui com você?”.

3- “Fiquei interessada em falar com você.”.

4- “Posso falar um pouquinho com você?”.

E, em seguida, após você aceitar a sua abordagem, a mulher abordada diga uma das seguintes frases:

1 – “Você vem sempre aqui?”.

2- “Você parece ser uma pessoa alegre!”.

3- “Você está aqui sozinho?”.

Pergunto, então, para as pessoas: “O que você acha mais importante, a iniciativa dessa mulher (se aproximar e puxar conversa) ou o fato dela ter optado por uma das frases acima?” Sem exceção, elas respondem:

“A sua iniciativa de se aproximar e puxar conversa foi o mais importante!”.

Então eu digo a elas:

“As mulheres pensam da mesma forma: o mais importante é ter sido abordada do que o conteúdo específico do que é dito por quem a aborda, dentro de certos limites, é claro”.

Sobre o autor

Ailton Amélio é psicólogo clínico, doutor em Psicologia e professor do Instituto de Psicologia da USP (1985 - 2014). Autor dos livros "Relacionamento amoroso" (Publifolha), "Para viver um grande amor" (Editora Gente) e "O mapa do amor" (Editora Gente).

Sobre o blog

Um blog sobre relacionamento amoroso e comunicação interpessoal.

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