Ailton Amélio

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Psicoteatro: técnica para desenvolver papéis, melhorar atuações e diminuir inibições

Ailton Amélio

Você gostaria de melhorar a sua satisfação, a sua eficiência e o seu sucesso nos seus relacionamentos pessoais e profissionais? Você provavelmente nunca foi treinado para agir com o máximo de eficiência em diversas situações que tem que lidar no dia a dia. Além disso, o seu desempenho esbarra em “construções psicológicas” que atrapalham o seu desempenho e diminui as suas chances de sucesso.

Esses problemas acontecem tipicamente com os tímidos, inassertivos e pessoas desvitalizadas porque não desenvolveram maneiras eficientes de atuar social, amorosa e profissionalmente.

As formas disponíveis de tratar esses problemas como o treinamento de atores e a psicoterapia tradicional podem ajudar, mas deixam a desejar.

Estou desenvolvendo um tipo de intervenção psicológica que combina o melhor do treinamento de atores com intervenções psicológicas concomitantes: o “psicoteatro”.

Neste artigo apresentarei este novo tipo de intervenção psicológica. Em primeiro lugar apresentarei uma história ilustrativa e, em seguida, uma noção geral do “psicoteatro”.

Pedro recorre ao psicoteatro

Pedro era muito tímido. Ele tinha aquilo que os psicólogos chamam de “timidez generalizada”: muitas coisas o intimidavam (flertar com desconhecidas, falar em público, conversar em grupo, fazer perguntas em sala de aula, participar de dinâmicas em grupo para seleção de candidatos a empregos).

Ele resolveu se matricular em um curso de formação de atores para tentar se soltava um pouco. Esse curso foi útil, sim: a sua timidez para fazer apresentações em publico foi a área mais beneficiada. No entanto, a sua timidez continuou forte nas outras áreas: para abordar mulheres atraentes em baladas, para conversar em grupos e para participar de processos seletivos em grupos para empregos.

Em seguida, ele recorreu a psicólogos que tratavam da timidez através do combate às suas crenças irrealísticas. Esse tratamento também foi bom: o seu grau de desenvoltura aumentou bastante em diversas dessas áreas. No entanto, a sua timidez ainda continuou a provocar prejuízos em diversas áreas da sua vida.

Foi quando ouviu falar do psicoteatro, método terapêutico que está sendo criado por este autor. Esse tipo de terapia combinava o desenvolvimento e o treinamento de papéis, tal como acontece na preparação de atores teatrais com o tratamento psicológico para combater suas fantasias amedrontadoras. Neste treinamento, situações encenadas eram parecidas com as situações que ele enfrentava na vida real.

Esse tratamento também ajudava a desenvolver habilidades necessárias para lidar com situações que o intimidavam. Como ele raramente desempenhava bons papéis nestas situações, ele não desenvolveu certas habilidades e fluências para ser bem sucedido em cada uma delas.

O melhor de tudo é que os papeis que ele treinava nas sessões eram desempenhados para o grupo de terapia e deviam ser desempenhados na vida real, nos intervalos entre as sessões de terapia. As facilidades e dificuldades para fazer essa transposição para a vida real eram trabalhadas semanalmente.

Psicoteatro: desinibição e elaboração de papéis

Você quer alargar seus horizontes, trabalhar e aproveitar a vida mais plenamente, sentir-se mais confiante,

Constrangimentos desnecessários. A vida tem suas dificuldades para serem vencidas e seus encantos para serem vividos.

Todos nós, além de termos que lidar com empecilhos reais e com oportunidades para usufruir os bons momentos que a vida oferece, ainda nos deparamos com dificuldades fictícias e limitações psicológicas desnecessárias que dificultam esses enfrentamentos e aproveitamentos das coisas boas.

Incorporação e transposição dos papeis para a vida real

O artista sob ao palco sabendo que ele é diferente do personagem que vai representar. O público sabe que o ator é diferente do papel que ele representa e que a representação dura por tempo limitado. O ator sabe que as consequências para os comportamentos do personagem são fictícias: só acontecem no palco: ele não será punido ou premiado de verdade pelos comportamentos que representa, mas sim por representá-los bem.

Ao ensaiar a representação, o ator pode experimentar novas maneiras de se portar. Pode experimentar, sem incorrer nas consequências usuais da vida real. Além disso, o ensaio é observado e dirigido por alguém experiente que o ajuda a desempenhar o papel de maneira convincente e impactante.

Após ensaiar suficientemente, o ator começará a desempenhar cada vez mais automaticamente, cada vez menos conscientemente e cada vez com maior fluidez. Tal como acontece com guiar um carro, tocar um instrumento ou datilografar, no começo o desempenho é feito de forma consciente e com muito esforço. Depois ele vai sendo automatizado e sendo exercido sem consciência.

“Ligue o carro, duas mãos no volante, pise na embreagem, coloque a primeira, com o pé direito pressione o acelerado, vá soltando lentamente a embreagem… tudo isso é feito conscientemente e, geralmente, de forma desajeitada”. Depois de certo tempo de prática, tudo isso é feito automaticamente, sem nenhuma consciência.

Incorporação dos personagens na vida real

No psicoteatro, o ator recebe a incumbência de desempenhar o seu novo papel na vida real. Primeiro deve colocar em prática aspectos simples do papel. Depois deverá desempenhar, cada vez mais, o papel completo.

O psicólogo o ajudará a identificar quais são suas facilidades e dificuldades para interpretar o papel e para desempenhá-lo, tanto nos ensaios quanto nas situações reais.

Essas facilidades e dificuldades para desempenhar tanto podem aparecer nas habilidades para desempenhar, na falta de sentido no que está dizendo ou fazendo, nas inibições e desinibições para desempenhar, nas fantasias sobre as consequências que ocorrerão, e nas dificuldades para lidar com possíveis consequências fictícias ou reais.

Essas dificuldades serão tratadas psicologicamente.

Essa forma de se portar não é natural para mim. Sou diferente o mito da naturalidade x representação

Irving Gofman afirma que, na vida real, representamos a maior parte do tempo: calculamos os impactos que nossa forma de comportar terá na audiência e tentamos nos comportar de forma a obter os efeitos que queremos: tentamos parecer admiráveis, pessoas legais, inteligentes, generosos, honestos, etc. Tentamos esconder nossos egoísmos, ciúmes, invejas, desprezos, etc.

Escolhemos as palavras, tom de voz e expressões faciais que mostraremos e omitimos comportamentos que revelarão nossas características menos nobres.

Todo mundo é obrigado a mudar parte dos personagens que apresente quando muda as situações de atuação. Essas mudanças acontecem, por exemplo, quando mudamos de emprego, de cidade, de país. Durante certo tempo, após as mudanças, as pessoas fazem coisas que não estão acostumadas: desempenho de novas tarefas, novas funções, adaptações a novas pessoas etc. Depois de certo tempo, aprendemos a apreciar e a nos comportar “naturalmente” nos novos cenários: desenvolvemos maneiras de lidar com as novas pessoas, mudamos nossos hábitos alimentares, nos adaptamos a novas rotinas.

No entanto, ninguém nos treina para desempenhar esses papeis e nem nos ajuda a combater nossos desconfortos e inseguranças geradas nas novas situações.

Portanto, mudanças de comportamentos, aquisições de novas motivações e aquisições de novos significados são coisas que já ocorrem normalmente na vida real.

A diferença com o psicoteatro é que aqui essas mudanças são ensaiadas e as suas dificuldades são tratadas psicologicamente.

Flexibilização do desempenho

No teatro, os papeis são treinados e desempenhados de acordo com um script e falas bastante rígidos. O escritor, o roteirista e o diretor definirão boa parte do que vai acontecer. O ator treinará e desempenhará o seu papel de forma muito semelhante cada vez que a peça for exibida. Na vida real é bem diferente. As situações são bem menos definidas e determinadas do que no teatro. O ator contracenará com outros personagens que não foram instruídos e treinados e que poderão se portar de forma relativamente imprevisível. O ator terá que tomar iniciativas e reagir dentro deste contexto bem mais mutável.

O que dá para treinar antecipadamente são estilos e princípios que guiarão as ações. Não dá para treinar as deixas para comportamentos específicos que as outras pessoas apresentarão na vida real.  

Por exemplo, uma pessoa tímida, ao ser treinada para agir com desenvoltura em um encontro amoroso, deverá aprender a estrutura geral que deverá guiar seu desempenho. No entanto, o que ele fará especificamente na situação real dificilmente poderá ser treinado porque o desempenho da outra pessoa, com qual ela estará interagindo não pode ser especificado em detalhes antecipadamente. O ator do psicoteatro terá que aprender a “essência” da situação e os princípios que regem a desenvoltura para que ela possa atuar com eficiência.

Você quer saber mais sobre esse novo tipo de terapia? Escreva para o meu email: ailtonamelio@uol.com.br

Sobre o autor

Ailton Amélio é psicólogo clínico, doutor em Psicologia e professor do Instituto de Psicologia da USP (1985 - 2014). Autor dos livros "Relacionamento amoroso" (Publifolha), "Para viver um grande amor" (Editora Gente) e "O mapa do amor" (Editora Gente).

Sobre o blog

Um blog sobre relacionamento amoroso e comunicação interpessoal.

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