Ailton Amélio

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Separação: quando há amor, é bom tentar reconciliar

Ailton Amélio

09/07/2016 13h51

“A Distância”

“Quantas vezes eu pensei voltar
E dizer que o meu amor nada mudou
Mas o meu silêncio foi maior
E na distância morro todo dia sem você saber”
(Letra da música “Distância”, de Erasmo Carlos e Roberto Carlos)

 

As separações de pessoas que se amam são muito tristes e doloridas. Os separados sofrem muito com as separações em geral e, ainda mais, quando ainda há amor entre o casal.

Quando o casal já integrou suas vidas práticas e psicológicas, a separação implica em várias rupturas e abalos. Em muitos casos, onde há amor, vale a pena tentar reconciliar. No entanto, muita gente não faz essa tentativa e fica sofrendo em silêncio, como o personagem da música de Erasmo e Roberto!

Separação e arrependimento

Mariana e Pedro romperam o namoro de mais de um ano. Semanas depois, Pedro se arrepende. Se pudesse voltar atrás, ele não teria rompido. Percebeu que ainda ama Mariana. Pensa nela o dia inteiro. Não consegue trabalhar. Não consegue se divertir e, muito menos, interessar por outras mulheres. Muitas dúvidas ficam martelando na sua cabeça o dia inteiro: “Será que Mariana já o esqueceu? Será que ela está com outra pessoa? Será que ele teria alguma chance, se a procurasse?”.

Mas, o silêncio de Pedro é maior: ele não faz nada para tentar se reconciliar com Mariana e, assim, morre todo dia sem ela saber! Talvez esteja acontecendo a mesma coisa com Mariana!

Quais são os desconfortos, medos e consequências reais e irreais que eles teriam que enfrentar se decidissem tentar uma reconciliação?

Grande percentagem de separados deseja a reconciliação

Uma pesquisa americana verificou que uma quantidade surpreendente de pessoas divorciadas estava arrependida e desejava a reconciliação (Veja a Nota 1, no final desse artigo) e teria interesse em receber ajuda para retomar o relacionamento. Essa pesquisa foi realizada com 2500 pessoas que estavam se divorciando e que tinham filhos.

Alguns dos resultados dessa pesquisa são os seguintes:

– Um em cada quatro indivíduos afirmou que tinha alguma crença que o relacionamento poderia ter sido salvo através de um trabalho bom e duro

– Em um nono dos casais, ambos os parceiros mostraram alguma crença que o relacionamento poderia ter sido salvo através de um trabalho duro.

– Um em cada dez indivíduos afirmou que estaria seriamente interessado em obter ajuda para uma reconciliação

– Em um em cada dez casais, ambos os parceiros mostraram-se interessados em obter ajuda para a reconciliação.

– Em um em cada três casais, um dos ex-cônjuge estava interessado na reconciliação e o outro não,

– Em 45% dos casais, um ou ambos os ex-cônjuges apresentaram alguma esperança que poderia haver reconciliação. Os homens apresentaram mais frequentemente essa esperança do que as mulheres.

– Este estudo também concluiu que os divorciados que tinham mais chance de reconciliação eram aqueles onde os conflitos conjugais estavam provocando mais danos nos filhos. Segundo os autores dessa pesquisa, uma possível explicação desse achado é que, nestes casais, os cônjuges ainda se importavam com o outro e, por isso, eles eram mais capazes de se afetarem negativamente, o que provocava maior grau de tensão do que naqueles casais onde já havia um alto grau de indiferença entre os cônjuges. Esse maior grau de tensão afetava mais os seus filhos.

Motivos das separações entre pessoas que se amam

Na nossa cultura, a crença de que o amor tudo supera é muito difundida. Por isso, parecem incompreensível e inaceitável que aconteçam separações entre pessoas que se amam.

Infelizmente, na prática não é bem assim. Existem motivos poderosos que podem se contrapor ao amor e levar à separação de pessoas que se amam.

Alguns desses motivos são os seguintes:

– Atos impulsivos graves contra o parceiro. Por exemplo, agressões verbais e físicas contra o parceiro.

– Quebra do contrato que rege o relacionamento: cada tipo de relacionamento é regido por uma espécie de contrato não escrito, que possui muitas regras. A quebra de algumas dessas regras ou do conjunto dessas regras pode tornar o relacionamento insuportável. Por exemplo, se o parceiro é muito egoísta, esconde informações importantes ou é irresponsável na área econômica, isso pode tornar o relacionamento inviável para o outro parceiro.

– Traições: ao contrário da afirmação popular “Quem ama não trai”, existem evidências de que a traição pode acontecer, sim, entre pessoas que se amam. A traição por parte do parceiro é intolerável para certas pessoas e pode levá-las a terminar o relacionamento.

– Irresponsabilidades na área econômica: o parceiro não trabalha, não procura emprego, etc.

– Brigas frequentes e danosas. Por exemplo, brigas onde há desrespeito, como ataques à personalidade e ao caráter do companheiro.

– Objetivos importantes dos parceiros são incompatíveis. Por exemplo, um que ter filho e o outro, não.

Quando vale a pena tentar a reconciliação

De vez em quando aparecem pessoas no meu consultório pedindo ajuda para se desapaixonarem. Antes de iniciar esse tipo de ajuda, procuro verificar se quem me procura está seguro de que é isso que quer e quais são os seus motivos. Durante essa verificação, muitas vezes deparo-me com bons indícios de que os parceiros ainda se amam e que os motivos da separação talvez possa ser superados.

Quando isso acontece, ajudo o paciente a reexaminar sua decisão. Durante esse reexame, ele pode conclui que quer tentar uma reconciliação e trabalhar para resolver os problemas que levaram  à ruptura. Ele também pode concluir, agora com mais certeza, que realmente quer desapaixonar-se e “virar a página”.

Quando ele quer tentar a reconciliação, passamos então a trabalhar nos obstáculos que dificultam tal tentativa.

Muitas vezes, isso dá certo e o relacionamento é retomado. Caso não de certo, pelo menos a pessoa fica com a consciência mais leve por ter feito tudo que podia para ficar com a pessoa que ama.

Quando há amor e não há fatos graves que inviabilizem a reconciliação, sou favorável que o parceiro tente superar suas inibições psicológicas irreais e tente a reconciliação

Obstáculos psicológicos para a tentativa de separação

Muitas dos obstáculos que impedem a tentativa de reconciliação são puramente psicológicos como orgulho, pressuposições e temores infundados, baixa autoestima, intolerância ao desconforto, medo da rejeição e suposições infundadas sobre o que se passa com a outra pessoa.  Outras vezes, esse tipo de tentativa implica em ônus reais.

Alguns desses obstáculos são os seguintes:

– Temor de insistir e prejudicar as chances de reconciliação.

Passar recibo que “come nas mão do parceiro” e, por isso, perder sua dignidade. Admiramos pessoas que têm amor próprio e não descem ao nível de implorar pelo amor de outrem.

– Ficar desagradável. A insistência para retomar o relacionamento pode ficar muito agradável para a outra pessoa. Isso acontece quando ela não sente mais nada por quem está fazendo as tentativas e essas tentativas e, por isso, elas são muito incômodas para quem as recebe. Ao receber essas tentativas, ela só dá atenção ao parceiro por polidez, dó ou medo de retaliações. Neste caso, as tentativas afastam ainda mais o parceiro que as recebe.

Você está com dificuldades para reconciliar-se com o parceiro(a)? Procure a ajuda de um psicólogo.

NOTA

1- Leia um resumo dessa pesquisa em: Surprising number of divorcing parents are open to reconciliation, News Minnesota Study Finds: http://www1.umn.edu/news/news-releases/2011/UR_CONTENT_316404.html

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Sobre o autor

Ailton Amélio é psicólogo clínico, doutor em Psicologia e professor do Instituto de Psicologia da USP (1985 - 2014). Autor dos livros "Relacionamento amoroso" (Publifolha), "Para viver um grande amor" (Editora Gente) e "O mapa do amor" (Editora Gente).

Sobre o blog

Um blog sobre relacionamento amoroso e comunicação interpessoal.

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