Ailton Amélio

Categorias

Histórico

Onze maneiras de aumentar o desejo e a excitação sexual

Ailton Amélio

15/04/2017 14h37

Para A.G, que é mestra do desejo

 

Um episódio sexual bem sucedido pode ser dividido em quatro fases: (1) desejo (fantasias acerca da atividade sexual e desejo de ter atividade sexual), (2) excitação (sentimento de prazer e alterações fisiológicas concomitantes. Inclui, por exemplo, a ereção peniana do homem e a lubrificação e a expansão vaginal da mulher), (3) orgasmo (clímax sexual, com liberação da tensão sexual e contração rítmica dos músculos do períneo e órgãos reprodutores) e (4) resolução (sensação de relaxamento muscular e bem-estar geral) (Manual de Diagnóstico Estatístico de Transtornos Sexuais – 4a. Edição, pp. 467 – 468). Neste artigo vamos abordar as duas primeiras destas fases – o desejo e a excitação sexual.

O desejo sexual

Stephen B. Levine, professor da Case Western Reserve University School of Medicine, apresentou uma teoria que considero muito útil para entender o desejo sexual. Segundo este autor, o desejo (desire) tem três componentes: o impulso (drive), a motivação (motivation) e o querer (wish). Vamos apresentar aqui um resumo desta teoria.

O impulso sexual

O impulso é o componente biológico do desejo. A sua intensidade aumenta à medida que vai passando o tempo desde o último orgasmo. Funciona de forma semelhante à fome: no momento em que há ingestão suficiente de comida, ela é saciada. Algo semelhante ocorre com o impulso sexual: quando acontece uma boa relação sexual ele fica temporariamente saciado. À medida que vai passando o tempo após esta relação, ele sua intensidade vai aumentando novamente de intensidade.

A motivação sexual

A motivação pode ser comparada ao apetite pela comida. Quando a comida é boa, atraente e gostosa, aumenta a nossa vontade de comer e tendemos a comer mais do que comeríamos caso a comida fosse menos atraente. No caso do apetite sexual, contribui muito para o desejo o fato de o parceiro ser alguém que amamos, ser bonito e se comportar de uma forma sensual. Diversos outros fatores também ajudam a aumentar o desejo. Por exemplo, estar livre de preocupações e se encontrar com o parceiro em um ambiente apropriado e seguro pode contribuir para que o desejo se manifeste mais livre e intensamente.

O querer

O querer são as razões racionais para transar. A analogia com a ingestão de alimentos continua útil aqui: podemos comer algo porque sabemos que faz bem, mesmo quando não estamos com fome e não gostemos daquele alimento. No caso do sexo, podemos transar porque queremos contentar a parceira, porque achamos que é nosso dever conjugal, para que a parceira “não procure em outro lugar o que está faltando em casa”.

A inibição Sexual

O sexo é carregado de significados em quase todas as sociedades. A sua prática é regulada por normas determinadas principalmente pela religião e pela moral. Existe um conjunto de normas sobre as práticas sexuais que são reguladas pela legislação. Por exemplo, existem leis que determinam quais são as práticas ou tipos de parceiros que são “legais” ou “ilegais” (por exemplo, traição, sedução de menores, assédio, etc.) e passíveis de sanções penais. As pessoas também são educadas para sentir culpa e medo quando o sexo não é praticado segundo as normas aceitáveis pela sociedade.

Pouco desejo sexual

A insuficiência de desejo sexual pode ser uma característica crônica do indivíduo ou se manifestar apenas circunstancialmente. Quando esta insuficiência é crônica, − ela está presente há muito tempo, −, a falta de desejo acontece com todos os possíveis parceiros e o seu possuidor tem, além de e a pessoa que possui essa insuficiência ter e há poucas fantasias e sonhos eróticos. Quando a falta de desejo é circunstancial, ela aparece apenas em certas situações (por exemplo, quando o parceiro agiu de uma forma desrespeitosa) e com relação a certas pessoas. Neste caso, a falta de desejo é natural e muito útil para selecionar parceiros amorosos – só devemos iniciar ou manter um relacionamento amoroso com alguém que desperte em nós alguma atração sexual ou que, pelo menos, tenha potencial para isso e que nos trate bem.

A diminuição do desejo pode ocorrer durante um relacionamento amoroso que está em curso. Quando esta diminuição é acentuada e perdura por muito tempo, existe uma grande chance do de o relacionamento se deteriorar.

Onze maneiras de aumentar o desejo e a excitação

  • Provocar

Nada melhor para despertar o desejo e a excitação do que provocar ou tentar o parceiro. Algumas maneiras de provocar o parceiro são as seguintes:

– Aumentar a atração corporal. Tornar-se sexy através do formato do corpo e pela produção (vestuário, adornos, maquilagem).

– Provocar sutilmente o parceiro através do que diz: conversar sobre sexo, falar sobre fantasias sexuais, falar sobre desejos, sobre o que gostaria de fazer na cama,

– Provocações sexuais não verbais: passar a mão no corpo, assumir posturas corporais que deixem que chamem a atenção ou deixem entrever partes mais intimas do corpo.

2- Mostrar desejo para provocar desejo no parceiro

Uma das coisas que mais provoca o desejo é a manifestação de desejo por parte do parceiro. É por isso que as prostitutas fingem que estão excitadas e com muito desejo: isto aumenta o desejo do cliente, apressa e o auxilia no seu orgasmo e contribui enormemente para a sua satisfação e autoestima.

  • Cumprir o roteiro sexual que faz sentido

Roteiros dão sentido para as práticas sexuais e não sexuais. Por exemplo, pular em um pé só, convidar para beber no meio do dia, ir até o colega no meio da reunião e abraça-lo e cumprimenta-lo não faz sentido. Da mesma forma, as práticas sexuais só fazem sentido quando cumprem um roteiro.

Chegar a uma conhecida e convidá-la diretamente para sexo, geralmente não faz sentido, mesmo que ambos queiram isso. Sair do roteiro causa estranhamento e geralmente diminui o desejo e estraga o clima.

Infelizmente homens e mulheres podem ter scripts muito diferentes, principalmente no início dos encontros sexuais. Eles tendem a se excitar com coisas bem diferentes do que aquelas que as excitam. Por exemplo, elas geralmente precisam conversar, prolongar preliminares e eles, são mais diretos.

  • Expor-se a novas práticas para aumentar os caminhos para o desejo

Algumas coisas passam a produzir motivações pela simples exposição, experiência ou prática por um tempo: álcool, nicotina, cocaína.

Por exemplo, jogos eletrônicos, Facebook, uso de aplicativos, álcool. No início, não são motivadoras e sem graça. Outro exemplo, quase todo mundo está viciado no uso de celulares (lembra-se daquelas fotos que mostram reuniões e jantares onde todos estão nos celulares?). Depois de algumas ingestões, exposições ou práticas, elas ficam motivadoras e envolventes para a maioria das pessoas.

Sexo também é assim: se praticarmos por um tempo, há boa chance que ele se torne uma necessidade muito forte!

  • Parear práticas neutras com estímulos excitantes

Quando um estímulo neutro é associado temporalmente com um segundo, que provoca reações (medo, alegria, desejo, etc.), o primeiro adquire propriedades para evocar aquilo que o segundo evocava. (Lembra-se do cão do Pavlov, que aprendeu a associar o som do sino com a comida que vinha em seguida?).

Situações inicialmente neutras podem passar a ser eróticas pelo simples fato de precederem ou estarem presentes durante eventos eróticos. Assim, pratique o que você quer erotizar em situações já erotizadas!

  • Facilitar erros de atribuição dos motivos da excitação

Muitas pessoas também aprendem a “pegar carona” em excitações produzidas por outros acontecimentos que, em si, nada têm de sexual ou erótico. Várias das alterações fisiológicas que são produzidas por estes fenômenos são do mesmo tipo produzido pela excitação sexual e, por isso, podem ser capitalizados para aumentar esta excitação. Por exemplo, transar em locais onde haja o risco de ser flagrado por outras pessoas (elevadores, vestiários de lojas, praia) pode aumentar o ritmo cardíaco e a adrenalina no sangue, reações estas que também são produzidas pela atividade sexual. Como não dá para distinguir as origens destas alterações, fica mais fácil atribuir tudo à excitação sexual. Por este motivo, algumas pessoas procuram fazer ou dizer coisas “proibidas” ou arriscadas para aumentar seus desejos e excitações.

  • Capitalizar motivações secundárias para potencializar o desejo

Quase tudo que fazemos é motivado por outros fatores que não são aqueles decorrentes da atividade em si. Por exemplo, muita gente pratica regularmente ginástica e diz que gosta de praticar, mas, de fato, gosta mesmo é da autoimagem e da heteroimagem de alguém que pratica ginástica. Cultivar essa imagem faz muito bem para si e desperta a admiração alheia.

Muita gente pratica sexo e crê que gosta dele, mas, na realidade, pratica porque gosta de receber é a atenção e os carinhos do parceiro.

  • Induzir hormônios sexuais através de outras atividades

A produção de hormônios por atividades não sexuais pode ser capitalizada para fins sexuais. Muitas atividades não sexuais produzem os mesmos hormônios que as atividades sexuais: correr, ser bem sucedido na apresentação de um trabalho, vencer uma partida de xadrez, fazer uma participação social bem sucedida, etc. Essas atividades e seus resultados podem aumentar a produção de hormônios que também ativam a excitação sexual.

Por exemplo, uma pesquisa verificou que após correr em uma esteira, as pessoas achavam fotos de possíveis parceiros mais atraentes do que quando não corriam imediatamente antes.

Certas pessoas aprenderam a praticar essas atividades e capitalizá-las para aumentar o desejo e a excitação sexual.

  • Liberar desejos já existentes

Muitas vezes, o que faz sentir mais excitação é, simplesmente, a liberação da sua repressão.

Existem muitas formas de enfraquecer bloqueios que atrapalham a eclosão do desejo e interferem negativamente na excitação: álcool, restruturação cognitiva para validar o desejo, etc.).

  • Criar espaço psicológico para o desejo e excitação

Liberar-se de outras atividades que exigem atenção abre espaço para sentir desejo e excitação: tarefas importantes, preocupações, necessidade de agradar a parceira ocupam espaço psicológico e atrapalham o surgimento do desejo e da excitação.

  • Criar condições físicas necessárias para o desejo e excitação

Condições físicas: quem está muito cansado, doente ou com sono sentirá menos excitação porque há outro estado dominando o organismo que é incompatível com o desejo e a excitação.

Portanto, estar saudável e bem descansado deixam espaço para o desejo e excitação!

  • Produzir fricções eróticas em si e no parceiro

– Fricções são os provocadores mais eficientes do desejo. As carícias sexuais em si próprio (masturbação) e a própria pratica sexual são altamente eficientes para ampliar os desejos. A prática sexual é, em grande parte, constituída por carícias em zonas erógenas.

Também dá para iniciar o desejo e a excitação diretamente pelas fricções (“pegar no  tranco”, rs)!

————–

Falta de desejo ou de excitação sexual? procure a ajuda de um psicólogo.

Muitas das medidas apresentadas acima são complexas e, por isso, não são para autoaplicação e nem estão ao alcance dos   “treinadores” e sexólogos improvisados que atuam por ai! Peça para ver o diploma!

 

Sobre o autor

Ailton Amélio é psicólogo clínico, doutor em Psicologia e professor do Instituto de Psicologia da USP (1985 - 2014). Autor dos livros "Relacionamento amoroso" (Publifolha), "Para viver um grande amor" (Editora Gente) e "O mapa do amor" (Editora Gente).

Sobre o blog

Um blog sobre relacionamento amoroso e comunicação interpessoal.

ID: {{comments.info.id}}
URL: {{comments.info.url}}

Ocorreu um erro ao carregar os comentários.

Por favor, tente novamente mais tarde.

{{comments.title}}

{{comments.total}} Comentário

{{comments.total}} Comentários

Seja o primeiro a comentar

{{subtitle}}

Essa discussão está encerrada

Não é possivel enviar novos comentários.

{{ user.alternativeText }}
Avaliar:
 

* Ao comentar você concorda com os termos de uso. Os comentários não representam a opinião do portal, a responsabilidade é do autor da mensagem. Leia os termos de uso

Escolha do editor

{{ user.alternativeText }}
Escolha do editor

Blog do Ailton Amélio
Blog do Ailton Amélio
Blog do Ailton Amélio
Blog do Ailton Amélio
Blog do Ailton Amélio
Blog do Ailton Amélio
Blog do Ailton Amélio
Blog do Ailton Amélio
Blog do Ailton Amélio
Blog do Ailton Amélio
Blog do Ailton Amélio
Blog do Ailton Amélio
Blog do Ailton Amélio
Blog do Ailton Amélio
Blog do Ailton Amélio
Blog do Ailton Amélio
Blog do Ailton Amélio
Blog do Ailton Amélio
Blog do Ailton Amélio
Blog do Ailton Amélio
Blog do Ailton Amélio
Blog do Ailton Amélio
Blog do Ailton Amélio
Blog do Ailton Amélio
Blog do Ailton Amélio
Blog do Ailton Amélio
Blog do Ailton Amélio
Blog do Ailton Amélio
Blog do Ailton Amélio
Blog do Ailton Amélio
Blog do Ailton Amélio
Blog do Ailton Amélio
Blog do Ailton Amélio
Blog do Ailton Amélio
Blog do Ailton Amélio
Blog do Ailton Amélio
Blog do Ailton Amélio
Blog do Ailton Amélio
Blog do Ailton Amélio
Blog do Ailton Amélio
Blog do Ailton Amélio
Blog do Ailton Amélio
Blog do Ailton Amélio
Blog do Ailton Amélio
Blog do Ailton Amélio
Blog do Ailton Amélio
Blog do Ailton Amélio
Blog do Ailton Amélio
Blog do Ailton Amélio
Blog do Ailton Amélio
Topo